Conheça mais sobre os jogos de origem japonesa Pachinko e Gacha

Pachinko e Gacha no Japão
Fonte: flickr.com

Apesar das apostas por dinheiro ainda serem proibidas no Japão, existem dois games populares no país que são muito similares aos jogos de azar, chamados Pachinko e Gacha. Adorados por milhões de japoneses, esses jogos se destacam por terem elementos da cultura e do estilo de vida local.

O que é e como surgiu o Pachinko?

O Pachinko pode ser descrito como uma fusão de um caça-níquel com um jogo de pinball. Para jogá-lo, existem milhares de estabelecimentos pelo país, conhecidos como "Pachinko Parlors", que nada mais são do que grandes salões de jogos com dezenas de máquinas do game. Ao chegar nesses locais, basta comprar esferas de metal, que funcionam como as fichas dos jogos tradicionais, e inseri-las na máquina. Feito isso, os jogadores conseguem utilizar essas esferas para adquirir bolas dentro do jogo, e quanto maior é número de bolas conquistado, melhores são as chances de trocá-las por prêmios.

Em relação a sua origem, acredita-se que o Pachinko tenha surgido no início do século XX, destinado inicialmente para o público infantil. Durante a década de 40, o jogo foi inclusive proibido por alguns anos, devido ao temor de que ele pudesse ser prejudicial e levasse ao vício de crianças e adolescentes, mas logo depois ele voltou a legalidade. O grande interesse do público japonês pelo Pachinko pode ser explicado pela simplicidade do game, o qual acaba sendo visto como um passatempo divertido por pessoas de diferentes faixas etárias.

Por muitos anos, as máquinas de Pachinko foram mecânicas, mas com o avanço da tecnologia, atualmente as mesmas funcionam de forma eletrônica e são mais modernas. Muito coloridas e vibrantes, cada máquina do jogo possui uma temática diferente, bastante similar com os caça-níqueis, tendo os desenhos japoneses, os famosos animes, como o tema mais comum entre as máquinas de Pachinko.

Como o lucro com jogos de azar não é permitido no Japão, o desempenho no jogo de Pachinko não traz dinheiro de forma direta. Sendo assim, aqueles que se saem bem no game podem trocar as bolas que adquiriram no jogo por pequenas recompensas como cigarros ou cosméticos. Entretanto, fora dos salões de Pachinko, existe uma espécie de mercado negro no qual esses itens são trocados por dinheiro, algo que apesar de ilegal, é bastante difícil de ser controlado pelas autoridades japonesas.

outdoors no Japão
Fonte: studin.se

Como funcionam os jogos de Gacha?

Os jogos de Gacha são videogames inspirados nas "Gachapons", uma espécie de máquina com pequenos brinquedos e itens aleatórios muito comum no Japão, na qual o consumidor precisa pagar um pequeno valor, geralmente entre 100 e 600 ienes, para receber um desses brinquedos de forma aleatória, sem ter a chance de escolher qual deles irá ganhar.

O fator surpresa das "Gachapons" serviu como inspiração para que os desenvolvedores de videogames japoneses criassem os jogos de Gacha, os quais existem em diversos formatos, como jogos de aventura, estratégia, puzzles e até mesmo games multiplayer. Nesse sentido, a função “Gacha” surgiu como uma forma dos desenvolvedores conseguirem um bom retorno financeiro com jogos disponibilizados de forma gratuita ao público.

Apesar do jogo ser gratuito, o game oferece aos usuários pacotes com diferentes recompensas, as quais podem consistir em itens para personalizar os personagens, novos cenários ou novos poderes capazes de melhorar a jogabilidade, por exemplo. Para ter acesso a essas recompensas, o usuário precisa gastar a moeda do jogo, mas esta também pode ser comprada através de transações envolvendo dinheiro real. Como as recompensas são aleatórias e não algo específico que o jogador escolheu comprar, essa função tem sido vista como semelhante aos jogos de azar, e tem gerado grande polêmica.

Os jogos de Gacha já são populares no Japão a cerca de dez anos, e aos poucos tem se espalhado também para o Ocidente, de forma adaptada. Nos jogos lançados no restante do mundo, essa funcionalidade aparece através das "loot boxes", que em livre tradução seriam "caixas de recompensas". Para comprá-las, os jogadores acabam usando dinheiro de verdade, e por concederem itens aleatórios, as chances de conseguir os melhores itens, são difíceis, o que estimula os jogadores a adquirirem mais e mais caixas.

A controvérsia da proibição de apostas e jogos de azar

Jogos como Pachinko e Gacha demonstram que a população do Japão, assim como acontece em outros países que ainda não adotaram a legalização dos jogos de azar, encontram outros meios de apostar, sejam eles dentro ou fora da esfera legal. No caso do Pachinko, apesar de ser permitido, já existe um mercado negro ligado ao jogo para assegurar que os prêmios sejam trocados por dinheiro, e acredita-se que muitos japoneses que se consideram profissionais no game vivam com a renda que conseguem através dele.

Anualmente, os japoneses gastam cerca de 23 trilhões de yens com o Pachinko, cerca de 209 bilhões de dólares, o que reforça o quanto essa indústria é grande e lucrativa no país. Com o vislumbre de crescer ainda mais, vários "Pachinko Parlors" ao redor do Japão também tentam montar centros de operação ilegais para recompensar os jogadores com dinheiro, o que exige uma vigilância constante por parte da polícia para evitar que essas irregularidades aconteçam.

Desse modo, é indiscutível que a proibição das apostas e jogos de azar é algo que exige fiscalização e recursos contínuos por parte dos governos, tendo em vista que estão sempre surgindo novas alternativas para driblar as regras vigentes.

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