As mudanças que agitaram a indústria musical

Music Industry In Modern Times
Fonte: Pixabay

A partir da década de 90, a expansão da internet e o surgimento da pirataria abalaram as estruturas da indústria musical, que passou a amargar resultados negativos e uma perda substancial na margem de lucros. Primeiramente, as pessoas começaram a utilizar programas de computador que gravavam músicas em CDs, os quais eram repassados aos amigos ou simplesmente vendidos por preços bem abaixo do ofertado nas lojas.

Com o passar dos anos, o problema se agravou ainda mais com o aparecimento de centenas de sites de armazenamento de músicas, nos quais os usuários podiam fazer o download gratuito de todas as canções que queriam. Além de fazer o download de forma pirata, as pessoas conseguiam compartilhar as músicas facilmente na internet e entre sua rede de contatos através de programas como Limewire e Kazaa, o que fez com que a situação parecesse ainda mais fora de controle.

Nessa época, as gravadoras até tentavam brigar pelos direitos autorais de suas músicas, mas a internet ainda era um ambiente livre da série de regulamentações que possui nos dias de hoje, o que tornava tudo ainda mais complicado. Além das músicas, também não havia restrições eficientes em relação a filmes, livros e jogos de cassino online, por exemplo.

Entre os anos de 2004 e 2009, a estimativa é de que mais de 30 bilhões de downloads ilegais de música tenham sido feitos no mundo. De acordo com dados da Associação Americana da Indústria de Gravação (em inglês, RIAA), as vendas de CDs e outros produtos oficiais teve uma queda de 47%, resultando em um prejuízo de bilhões de dólares e milhares de empregos perdidos.

Impacto no total de ganhos dos artistas

Antes da era da internet e da pirataria, a principal fonte de ganhos dos artistas acontecia através da venda de discos, CDs e produtos oficiais. Nos últimos 25 anos, esse cenário foi completamente alterado, e nos dias de hoje, grande parte dos músicos lucram com a venda dos ingressos de seus shows e também com contratos publicitários, algo que era considerado secundário duas décadas atrás.

Alguns artistas, como o norte-americano Prince, que além de cantor também era compositor e produtor musical, chegaram a se manifestar publicamente de forma contrária ao download ilegal de músicas e aos rumos que a indústria está seguindo nos últimos anos. A cantora Taylor Swift, por exemplo, já declarou que o streaming de canções no ambiente online só é realmente lucrativo para os grandes conglomerados. Em contrapartida, os artistas, que são os verdadeiros responsáveis pelo processo de composição e criação das músicas, estão ganhando cada vez menos pelo seu trabalho.

A tendência dos serviços de streaming

Conforme o ambiente online foi se tornando mais controlado e os sites que promoviam a pirataria, incluindo os chamados "torrents", que eram mais difíceis de rastrear, foram desaparecendo, os internautas precisaram encontrar uma nova alternativa de como ouvir suas músicas favoritas online. Nesse momento, os primeiros serviços de streaming começaram a ganhar destaque, pois ofereciam uma ampla variedade de canções de uma forma mais organizada e fácil de acessar.

Music streaming
Fonte: IDG.TV

Aos poucos, o conceito do streaming de músicas foi conseguindo alterar a relação entre os internautas e a maneira como escutam suas canções, convencendo-os de que não era realmente necessário fazer o download e ter a posse da música para aproveitá-la. Outro aspecto essencial dos serviços de streaming no combate a pirataria foi o fato dessas plataformas também oferecerem planos gratuitos, ainda que com propagandas e limitações quanto ao que ouvir, os quais foram essenciais para atrair a parcela do público que não estava disposta a pagar para escutar música.

Como o streaming está reerguendo a indústria

Ainda segundo estatísticas divulgadas pela RIAA, a indústria musical obteve um crescimento recorde em 2016, algo que não acontecia desde o final dos anos 90, quando a venda de CDs alcançou o seu ápice. Paralelamente, os principais serviços de streaming do mercado, como Spotify e Apple Music, foram responsáveis por mais de 50% do faturamento desse setor pela primeira vez na história.

Esse acréscimo no faturamento e no montante movimentado pela indústria da música se deve principalmente pela expansão no número de usuários pagantes dos serviços de streaming. Entre 2015 e 2016, por exemplo, o aumento foi de 114%, o que demonstra o imenso potencial de crescimento que essas plataformas possuem.

Contudo, apesar da indústria ter voltado a atingir recordes de ganhos, ainda existem muitas controvérsias em relação aos benefícios do streaming. Cary Sherman, CEO da RIAA, é um dos figurões desse meio a ter criticado esses serviços por usarem brechas jurídicas com o intuito de pagar menos do que poderiam para artistas e gravadoras. Sendo assim, a expectativa é de o streaming ainda precise se remodelar nos próximos anos para alcançar um consenso entre os principais agentes da indústria.

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